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O cenário de tranquilidade na região da Mata Negra, no distrito de Ajapi, em Rio Claro (SP), esconde uma rotina de preocupação de produtores rurais com a segurança.

Uma série de furtos de tratores nos últimos oito meses está fazendo moradores mudarem rotina. Um produtor teve prejuízo estimado em R$ 220 mil. Eles pedem mais segurança na zona rural.

A Polícia Civil de Rio Claro disse que tem o registro de cinco furtos de tratores no distrito neste ano e que dois foram recuperados. Eles continuam investigando os outros casos.

A Secretaria da Segurança Pública (SSP) informou que todo caso notificado é rigorosamente investigado pela Polícia Civil. “As forças de segurança monitoram constantemente os índices criminais e adotam estratégias de enfrentamento a todas as modalidades de crime, incluindo ações de prevenção aos contra o patrimônio”, disse em nota.

Informou ainda que, nos cinco primeiros meses de 2026, a região de Rio Claro apresentou queda de 1,39% nos furtos de veículos e de 2,50% nos roubos de veículos.

Sem máquinas em propriedade
Câmeras de segurança de uma propriedade flagraram o trator de uma família foi observado e iluminado por duas pessoas com uma lanterna durante a noite. (Veja vídeo acima).

A insegurança afetou diretamente a rotina do produtor rural Roberto Eduardo Francisco, que tomou a decisão de retirar o maquinário de sua propriedade para evitar novos furtos.

“Agora, devido à insegurança, eu deixo em Araras, na casa dos meus pais. Não fica mais aqui porque estão roubando constantemente”, explicou.
A estratégia, no entanto, atrapalha a produção. “Porque toda vez que a gente tem que usar, tem que vir de Araras para cá e aí acaba gerando prejuízo, né?”.

Para quem reside em definitivo no vilarejo, não há a opção de transferir os veículos de trabalho, restando apenas o receio contínuo de novas abordagens e o temor pela integridade física dos familiares.

“Se ainda leva alguma coisa assim, a gente tem o medo, tudo, mas não é tanto. A gente tem mais o medo de fazer o mal ainda, render as pessoas, machucar. Minha sogra mora ali, tem a mãe dela que é idosa também. E a gente vive com medo hoje em dia, né?”, afirmou a dona de casa Giulia Cardozo.
O produtor rural Junior Seneda já foi feito refém por cerca de 1 hora e meia antes de levarem um trator. “E de lá para cá, essa situação está ficando cada vez mais tensa. Já foram sete tratores”, afirmou.

A aposentada Margarete Seneda relata o drama de seu primo, que viu o esforço de uma vida inteira desaparecer após ter o veículo levado sem possuir cobertura de seguro.

“O trator dele valia R$ 220 mil, um pouco até mais. Ele perdeu tudo, porque ele não tinha seguro. Ele quase entrou em depressão, porque é difícil, né? Trabalha a vida inteira com um patrimônio grande, né? E ele perdeu, coitado”, disse.
A comunidade cobra providências para conter a onda de crimes.

“A gente queria que tivesse uma ronda por aqui, pelo menos umas três vezes à noite, ou um posto de guarda em Ajapi, porque Ajapi não é tão longe. Aí dava para eles fazerem a ronda aqui, no pessoal aqui, porque a gente está com bastante medo”, afirmou Margarete.

Sobre a cobrança dos moradores por mais policiamento, não tivemos resposta nem da polícia nem da Secretaria de Segurança Pública.

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