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A Polícia Civil prendeu temporariamente o vereador de Piracicaba (SP), Cássio Luiz Barbosa, conhecido como Cássio Fala Pira (PL), no início da manhã desta quinta-feira (9).

A prisão ocorreu em cumprimento de mandado judicial devido a denúncias de crimes sexuais. Até a tarde desta quinta, Cássio foi denunciado por nove mulheres (entenda mais aqui).

Segundo a polícia, a prisão ocorreu para que as investigações continuem sem possíveis interferências do suspeito.


Cássio nega as acusações e afirma que vai provar sua inocência. A seguir, veja o que se sabe e o que falta saber sobre o caso:

O que se sabe
Cássio Fala Pira foi denunciado por nove mulheres por supostos crimes sexuais até a tarde desta quinta-feira.
Em um dos casos, mostrado com exclusividade pela EPTV, afiliada da TV Globo no dia 2 de outubro, a denunciante afirmou que os abusos aconteceram dentro do gabinete do vereador na Câmara Municipal, quando o acionou porque precisava de emprego.
Ela relatou que o parlamentar teria tocado em partes íntimas do seu corpo e colocado as mãos dela à força nas partes íntimas dele. E que o abuso aconteceu depois que ela o acionou porque procurava um emprego.
Em outro caso, também revelado pela EPTV, a denunciante disse que foi abusada duas vezes, em situações nas quais o vereador teria lhe oferecido cesta básica e um emprego.
Uma terceira denunciante relatou à Polícia Civil que conhece Cássio devido a ações políticas dele em seu bairro e que o parlamentar, em diferentes vezes, fez comentários sexuais sobre seu corpo e, em um dos episódios, passou a mão em sua cintura e quadril.
Nesta quinta, a Polícia Civil cumpriu quatro mandados: um de prisão, na casa do parlamentar, e outros três de busca e apreensão, em um escritório de Cássio localizado no bairro Vila Sônia e em seu gabinete na Câmara Municipal. Foram apreendidos computadores e celulares.
Cássio foi levado à Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Piracicaba e ao Instituto Médico Legal para a realização de exames. O vereador ficará preso no 1º DP e apenas será ouvido pela polícia no fim das investigações, apurou a EPTV.
Segundo a Câmara Municipal de Piracicaba, a convocação do suplente – que é Fabrício Polezi – para substituir o vereador só ocorreria a partir de um afastamento de 120 dias, o que não é o caso atualmente.
Com a prisão temporária, Cássio pediu afastamento sem remuneração até 16 de dezembro e o pedido foi aprovado em plenário por 19 votos a 1.
O Legislativo informou que também recebeu uma denúncia de crime sexual contra ele e que ela será encaminhada à Comissão de Ética e Decoro Parlamentar.
Em comunicado, a Câmara declarou que acompanha de perto o “desenrolar dos acontecimentos” e todas as medidas administrativas e regimentais cabíveis serão tomadas.
Em nota, o Diretório Municipal do Partido Liberal (PL) de Piracicaba reconheceu a gravidade das denúncias e afirmou que, se foram confirmadas, vai abrir processo disciplinar que poderá levar à expulsão do parlamentar da legenda.
Também em nota divulgada nesta quinta-feira, a defesa de Cássio classificou as denúncias como “frágeis”, disse que o vereador ainda não teve a oportunidade de dar sua versão à polícia e que sua inocência será provada (veja o texto na íntegra no final da reportagem).
Advogado do parlamentar, Jonas Tadeu Parisotto também afirmou que tem conhecimento “de grupos que têm interesse político nessa questão”.

O que falta saber
As investigações ainda estão em andamento. Segundo a polícia, a prisão ocorreu para que elas continuem sem possíveis interferências do suspeito.
A Polícia Civil ainda não divulgou quais são as provas reunidas contra o investigado.
Também não foi divulgado o teor das denúncias feitas por todas as nove mulheres contra o parlamentar.
A defesa de Cássio também não apresentou à imprensa, ainda, quais são as provas que disse possuir para provar sua inocência.

A seguir, veja nota da defesa de Cássio Fala Pira na íntegra:

“A defesa técnica e constituída pelo Vereador Cássio Luiz Barbosa, vem, por meio desta nota, esclarecer, publicamente, os fatos relacionados às acusações dirigidas a ele, às quais não correspondem à verdade.

Os relatos apresentados por supostas ‘vítimas’, carecem de verossimilhança e não encontram respaldo nas frágeis acusações produzidas em redes sociais que se consubstanciam, em cancelamento e linchamento virtuais, violando a honra e a imagem do vereador, do cidadão e do pai Cássio Luiz Barbosa.

Releva notar, que a autoridade policial que preside o inquérito na Delegacia de Defesa da Mulher e que redundou na precoce representação de prisão temporária junto ao Poder Judiciário, sequer teve o cuidado e a prudência de convocar o Vereador Cássio, para dar-lhe a oportunidade de esclarecer os supostos fatos e acusações vindo, em maioria, de usuários da internet, que se colocam como juízes e, ao mesmo tempo, se enxergam como carrascos, promovendo o linchamento virtual, tendo em vista que o espaço virtual lhes dá esse poder, sem que nenhuma penalidade lhes sejam impostas.

Ressalta-se que o Vereador Cássio Luiz Barbosa, assim como qualquer cidadão brasileiro, possui o direito constitucional à presunção de inocência, à ampla defesa e ao contraditório e do devido processo legal, diante do princípio da dignidade da pessoa humana.

A prisão, ainda que temporária, no entendimento da Defesa, é medida excepcional, diante do princípio da dignidade da pessoa humana, de qualquer forma, reitera, nesta oportunidade, a sua confiança na Justiça e reafirma que, ao final do processo, sua inocência será comprovada”.

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